Então seus lábios tocaram os meus. Então tudo que era mais valioso de deixou levar pela correnteza, tudo se concentrou apenas naquilo. Se concentrou apenas em nós. Não no sentido literário, é claro. Em alguns dias eu seria apenas mais uma pra você, seria aquela pra quem você apontaria e falaria em um tom descontraído para os amigos. Quase que zombando de mim. E eu seria aquela que fingiria não te olhar enquanto fazia o esforço para atravessar a rua, faria o esforço de não deixar a lágrima e cair e fingir que estava tudo bem. Como sempre. Ou talvez não, ou talvez eu não me apaixone. Talvez você não seja assim tão rígido, tão frio, pelo menos não comigo. Então seus lábios prensaram os meus, me fazendo respirar fundo e apertar com força sua camiseta. Era a quarta vez na semana que isso acontecia, era o quarto de sete dias. Seriam apenas sete dias e nada mais, nada menos. Talvez algo a mais ou algo a menos, mas deixe essa parte comigo.Deixe a parte dos sentimentos complicados comigo e vá viver, aproveite, deixe a parte de sofrer por você comigo, vá se aproveitar com outra garota. Uma loira alta de olhos claros, ou não, tanto faz. Como eu queria que você se apaixonasse por mim, como eu queria que você pertencesse a mim, assim como eu. Bastaram algumas semanas para que eu te pertencesse por completo, bastaram dias pra que eu me perdesse em você e não me achasse mais em mim. Desculpe se isso é ruim pra você. Pra mim? Apenas vou levando, vai corroendo por dentro e arrastando junto com as chamas. Chamas do amor, ou paixão, seja o que for. Só sei que sinto. E sinto muito. Sinto muito por você, sinto pouco por mim. Ou talvez sinta até demais por mim, por ter que ser assim. Difícil não é? Mas eu aguento. Daqui a alguns dias você começaria a faculdade: meninas saradas, bonitas, charmosas e safadas. Sim, bem o seu estilo. Por que mesmo estamos ficando? Bom, não sei. Mas você me dá prazer, talvez não acima de tudo, talvez nunca admitido ao menos para mim mesmo, mas ao sentir seu corpo em contato com o meu, sua mão passando pela minha coxa, meus braços ao redor do seu pescoço me traz uma sensação tão: boa. É realmente isso, nada tão clichê, nenhuma palavra tão extraordinária. Ou talvez eu apenas não tenha criatividade. Mas é bom. É bom quando estamos juntos, é bom quando você me espera acabar a maquiagem sentado na varanda de casa, é bom quando seus lábios tocam meu pescoço, é bom quando seus braços me envolvem, é bom quando seu corpo me prensa na parede. É bom quando nossos lábios se separam e meu sorriso bobo te faz abrir um sorriso maior ainda, é bom te admirar quando está olhando pro horizonte, é bom quando você mexe com meu cabelo e depois pergunte se quer que eu pare. É bom quando sento no teu colo, é bom também quando você me pede pra deitar nos teus ombros, é bom quando você beija meu ombro e sussurra alguma coisa bem clichê. É bom quando me deixa passar a mão por dentro da sua camiseta, ou quando eu lhe deixo brincar com a alcinha do meu sutiã. Então me desculpe estar desistindo assim, mas me recuso a ser tão madura, desculpe me render assim e correr direto pros seus braços, mas é que eu não imagino uma vida sem você. Uma semana? Logo você irá. Logo só restará a pulseira que você me deu e a camiseta com o emblema da cidade que roubamos de uma galeria. Só restará você dentro de mim. Então é bom que eu aproveite enquanto dure, em quanto posso.- Maria, devolve-me.
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